Neobanks brasileiros: como o crédito cresceu 360% e a inadimplência virou o próximo teste do setor
O saldo de crédito nos neobanks disparou +360% enquanto a inadimplência de cartão saltou +163%. Uma leitura do estudo Equifax BoaVista (2026) e do que isso significa para o mercado.

Neobanks brasileiros: como o crédito cresceu 360% e a inadimplência virou o próximo teste do setor
Nos últimos cinco anos, os neobanks brasileiros deixaram de ser uma promessa para se tornarem o principal motor de bancarização do país. O estudo mais recente da Equifax BoaVista (2026) — mencionado inclusive pela Forbes Brasil — coloca números duros nessa história: o saldo de crédito nos neobanks cresceu +360%, enquanto a inadimplência em cartão de crédito subiu +163% no mesmo período.
A leitura é clara: o setor ganhou escala, mas está entrando na fase mais difícil do ciclo, a de provar que sabe cobrar tão bem quanto sabe conceder.
O que os números mostram
O estudo consolida um movimento que quem vive o dia a dia de crédito já sentia na régua:
- Concessão em ritmo agressivo, principalmente em cartão e crédito pessoal sem garantia.
- Ticket médio menor, mas volume muito maior = dezenas de milhões de contas ativas.
- Perfil de cliente mais jovem, mais digital e, historicamente, sub bancarizado.
- Inadimplência crescendo em ritmo desproporcional ao PIB e à massa salarial.
Ou seja: o crescimento não é ruim, é natural para quem está expandindo base. O problema é que boa parte das fintechs cresceu antes de amadurecer sua régua de cobrança.
Por que a inadimplência disparou tanto
Três fatores se combinam:
- Perfil da base. Muitos clientes não tinham histórico de crédito prévio. Isso é bom para inclusão, mas exige motores de decisão mais robustos e monitoramento comportamental contínuo.
- Concessão pró-cíclica. Em janelas de safra otimistas, os limites subiram rápido. Quando o ciclo virou (juros altos, inflação persistente, renda comprimida), a conta apareceu.
- Cobrança subdimensionada. A área de recuperação, em boa parte dos neobanks, foi construída depois do produto de crédito e não em paralelo.
O que muda daqui pra frente
O setor não vai deixar de crescer. Mas a régua muda:
- Governança de crédito vira tema de diretoria, não só de risco.
- Cobrança digital deixa de ser "envio de boleto por WhatsApp" e passa a ser jornada segmentada, com tom, canal e cadência por perfil.
- Dados proprietários + birôs externos se combinam para reduzir viés e melhorar recuperação (esse tema merece um post inteiro...e vai ter).
- LGPD e boas práticas deixam de ser checklist jurídico e passam a ser fator de retenção.
O que isso significa para você
Se você trabalha em uma fintech, a mensagem é: cobrança não é área de suporte, é área de resultado. Cada ponto percentual de recuperação a mais em safras antigas paga vários trimestres de aquisição.
Se você é profissional de cobrança, a mensagem é ainda mais direta: o mercado está pedindo gente que entenda produto financeiro, comportamento do cliente e tecnologia não só quem opera régua.
Nos próximos posts dessa série, eu vou aprofundar:
- Post 2 : o lado invisível dessa curva: o impacto na baixa renda.
- Post 3 : os 5 movimentos práticos para conter inadimplência sem queimar a base.
- Post 4 (bônus) : a "meia verdade" dos dados proprietários vs. birôs externos nos motores de concessão.
Se você quer discutir esse cenário aplicado à sua operação, fale comigo.
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